2007-07-29

Charrua, carreirismo e cidadania

O caso do prof. Charrua, da directora da DREN e das posições políticas do Governo, da Ministra da Educação e do PS-Porto já causam nausea.

Antes de mais tenho que declarar que nem conheço o prof. Charrua, nem simpatizo com nenhum dos muitos charruas que, graças à filiação partidária e à simpatia política, trocaram uma vida de profissionais do ensino, trabalhando na escola com os alunos e os outros professores, por uma carreira burocrática, muitas vezes infernizando a vida de quem no quotidiano escolar tenta levar o barco a bom porto.

Dito isto, tenho que lamentar que num país democrático, que no início do séc XXI preside a uma organização democrática - UE, seja possível que o partido que sustenta o governo possa produzir gente como Margarida Moreira e Renato Sampaio, que a coberto da complacência da Ministra da Educação e do 1º Ministro, continuam a promover um espírito de denúncia e perseguição política.

Na verdade, a decisão tomada pela Drª Mª Lurdes Rodrigues de arquivar o processo Charrua, alegando motivos políticos que na sua óptica se sobrepõem à esfera disciplinar, na qual terá alegadamente ficado provada a culpa do arguido, acaba por dar razão e força à posição de Margarida Moreira e Renato Sampaio.
O despacho de arquivamento, resolvendo a questão política de "não punir a liberdade de expressão", deixa ficar uma condenação moral sobre um alegado insulto ao 1º ministro.
Resta saber que prova foi produzida no âmbito do processo. Quem foram as testemunhas de acusação e qual o seu grau de dependência (e já agora do medo de que fala Manuel Alegre) em relação à directora regional e ao presidente da distrital do Porto do PS? Será que se essas testemunhas tivessem testemunhado em sentido diferente não veriam a sua "prestação de serviços" na DREN terminada, ou não renovada? Afinal onde é que acaba a "confiança política" para esta gente?
E que dizer do instrutor do processo? Que relações políticas, profissionais e partidárias existem entre este jurista e Margarida Moreira e Renato Sampaio?

Porque é que os partidos políticos, em particular os que ocupam o poder desde há trinta anos, não se decidem a despartidarizar por completo a administração pública. Quando é que os chamados "partidos do arco governativo" deixam de olhar para os lugares da administração e para os funcionários públicos que lá trabalham como uma coutada sua?
E os cidadãos que somos todos nós, até quando vamos continuar a aceitar este estado de coisas sem protestar?

1 comentário:

Margarida disse...

Nossa!! Tanto para ler!
Vou faz-lo aos poucos ...
Bjs
G.

Num mundo em que tudo parece decidido,
ainda há espaço
para o exercício de um pensamento cidadão