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2007-12-08

Tá bem abelha...

O "presidente em exercício" da UE disse hoje na sessão de abertura da cimeira UE-África que, com esta reunião, se vai "inaugurar" uma época de cooperação económica entre os dois continentes.

Ontem, na sua chegada a Lisboa, o presidente Líbio Muamar Kadhafi afirmou que os países colonizadores ainda têm uma imensa dívida para com os países africanos.

Tanto um como outro, sendo mestres na demagogia, cantam bem mas não alegram...

Ao
"presidente em exercício" da UE convém recordar que a "cooperação económica" entre África e Europa tem séculos de história e nesse particular o presidente Líbio tem alguma razão, uma vez que essa "cooperação" foi sempre unilateralmente vantajosa para os países europeus.

Ao presidente Líbio Muamar Kadhafi convém, no entanto, recordar que faz parte de uma casta de africanos, que foram desde sempre os únicos beneficiários não europeus dessa cooperação económica, desdes os tempos do comércio de escravos, capturados e vendidos por africanos aos traficantes europeus, que depois exportavam gente como gado para a América e para a Europa.

A ambos é preciso recordar que o maior drama de África é exactamente a sua falta de população que impede o desenvolvimento económico. E se apesar de tudo a taxa de natalidade em África é elevada, o despovoamento do continente é uma evidência que precisa de ser combatida com políticas de saúde pública e de educação que permitam, por um lado aumentar a esperança de vida dos africanos e, por outro, gerar o desenvolvimento económico e social que torne desnecessário o recurso à emigração para outros continentes como forma de fugir à miséria e à fome.
Se a cimeira puder contribuir para se darem passos claros e inequívocos nestas duas áreas, ainda haverá alguma esperança e terá valido a pena.
Se, pelo contrário, tudo se resumir a negociar um conjunto de ajudas que contribuirão para o reforço de ditaduras e oligarquias africanas que beneficiem algumas empresas e estados europeus, melhor seria que tivessem ficado em casa!

2007-07-31

Literacia e longevidade

De acordo com um artigo publicado no NYTimes e assinado por Eric Nagourney, a competência linguística, nomeadamente a competência de ler e interpretar informações médicas básicas, aumenta consideravelmente a longevidade, verificando-se em vários estudos que existe uma maior mortalidade entre os pacientes menos letrados.
Segundo um estudo, em que se verificou que pessoas que não tinham completado a "high school" viviam em média menos 9 anos do que os que se tinham graduado, tal facto pode ficar a dever-se a que mais educação se reflecte normalmente em melhores empregos, melhor habitação, melhor alimentação e melhores cuidados de saúde.

Sabendo que em Portugal as despesas com a Saúde e com a Educação constituem um pesado encargo para o contribuinte que não consegue fugir aos impostos, o desperdício de recursos financeiros e humanos que resulta da exclusão e abandono escolar é provavelmente responsável pelos elevados custos que se registam também no SNS.

Num mundo em que tudo parece decidido,
ainda há espaço
para o exercício de um pensamento cidadão