A "estória" é breve e é reveladora de uma certa maneira de "ser português", que se traduz essencialmente em ser mais esperto do que os outros.
Domingo, fim da manhã, uma pequena superfície comercial de um bairro na periferia suburbana da grande Lisboa.
As cinco caixas do supermercado encontram-se a funcionar, cada uma com mais de uma dezena de clientes que apressadamente fazem as últimas compras antes do almoço dominical.
Uma jovem, empurrando com aparente dificuldade um carrinho com um bébé, ao mesmo tempo que segura um cesto repleto de compras, é convidada pelos outros clientes a avançar pela caixa prioritária, de forma a ser atendida com a brevidade devida a quem tem que cuidar de uma criança de meses.
Ao chegar junto à caixa, enquanto alguns clientes a ajudam a pôr no balcão as compras da semana, a jovem retira a criança do carrinho de bébé e entrega-a à senhora que presumivelmente será a sua mãe e avó da criança, que fica a apreciar a forma como a filha acaba de passar à frente de uma dezena de parvos, utilizando para tanto o estratagema de ir para a fila com uma criança de colo, em vez de aguardar normalmente pela sua vez.
Não há a menor dúvida que este é o Portugal dos malandros, que sabem sempre aplicar o melhor golpe para passar a perna ao vizinho do lado, ao mesmo tempo que exigem para si o direito a tratamento de excepção... mas também não é de admirar, quando o exemplo de quem nos governa é exactamente aplicar a si próprio o tratamento de excepção e aos outros o aperto do cinto, «a bem da nação»........
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2007-11-11
2007-09-30
Critérios & Coincidências
Que muito boa gente acha que o futebol português é um reflexo do país, já todos nós sabemos.
Deve ser por isso que a justiça futebolística, aplicada por juízes que são escrutinados apenas pelos "poderes instituídos" no seu próprio mundo, é tão semelhante à justiça geral, a qual, aplicada ao cidadão comum, faz lembrar George Orwell e o seu "Triunfo dos Porcos": «Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros». Na justiça quotidiana já todos percebemos que quem tem dinheiro e poder é mais igual que os seus concidadãos que não possuem nem uma coisa nem outra.
No futebol assistimos esta semana à confirmação da regra, quando dois juízes decidiram de forma diversa e oposta qual o tratamento a dar à cooperação com os seus auxiliares, que é suposto existir numa equipa de arbitragem: na quarta feira, porque o prejudicado era uma pobre equipa sem pedigree, o árbitro marcou o que não viu e garantiu a passagem do "glorioso benfica" à eliminatória seguinte da "Taça da Liga"; setenta e duas horas depois (no sábado) o árbitro não marcou o que o assistente assinalou, porque não viu e porque o prejudicado seria o "glorioso benfica".
Esperamos pacientemente pela "justificação" que o padrinho dos árbitros virá dar nas próximas horas...
Deve ser por isso que a justiça futebolística, aplicada por juízes que são escrutinados apenas pelos "poderes instituídos" no seu próprio mundo, é tão semelhante à justiça geral, a qual, aplicada ao cidadão comum, faz lembrar George Orwell e o seu "Triunfo dos Porcos": «Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros». Na justiça quotidiana já todos percebemos que quem tem dinheiro e poder é mais igual que os seus concidadãos que não possuem nem uma coisa nem outra.
No futebol assistimos esta semana à confirmação da regra, quando dois juízes decidiram de forma diversa e oposta qual o tratamento a dar à cooperação com os seus auxiliares, que é suposto existir numa equipa de arbitragem: na quarta feira, porque o prejudicado era uma pobre equipa sem pedigree, o árbitro marcou o que não viu e garantiu a passagem do "glorioso benfica" à eliminatória seguinte da "Taça da Liga"; setenta e duas horas depois (no sábado) o árbitro não marcou o que o assistente assinalou, porque não viu e porque o prejudicado seria o "glorioso benfica".
Esperamos pacientemente pela "justificação" que o padrinho dos árbitros virá dar nas próximas horas...
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