2007-10-09

Uma no cravo e outra na ferradura

O PS tem destas coisas.
Num dia o partido, através de algumas figuras de primeira linha, apresenta-se como o paladino da liberdade e dos ideias republicanos, para, no dia seguinte, o seu governo enveredar pela utilização das práticas mais autoritárias, ditatoriais e antidemocráticas a que se assiste desde o derrube do Estado Novo.

Vejamos pois o discurso:
Na sessão comemorativa do 50 anos do I Congresso Republicano de 6 de Outubro de 1957, Jorge Lacão e Vital Moreira afirmaram que:
"Considerando que o Estado Novo, embora mantendo a República como regime, «se despojou dos valores republicanos», Jorge Lacão salientou que o I Congresso Republicano, promovido pelos democratas em plena ditadura, «mais do que enunciar os valores republicanos em exercício de nostalgia, mostrou a sua actualidade e aplicabilidade».
«O congresso de 1957 representou uma nova fase de unidade nas correntes oposicionistas. Representou a refundação da oposição à ditadura e deixou um modelo cívico de resistência, através da troca de ideias, legando uma significativa reflexão sobre os problemas da sociedade e os desafios para o país», sublinhou.
Para Jorge Lacão, a evocação o I Congresso Republicano «convoca dias de memórias históricas que não se podem perder: a tradição republicana e a resistência à ditadura».
Vital Moreira considerou-o «porventura um dos mais altos momentos da luta legal contra o regime», salientando que os valores da República foram a plataforma comum da luta pela democracia."


E vejamos também as práticas:
Dois dias depois, na Covilhã, dois polícias à paisana irromperam pela delegação local de um sindicato de professores, numa reedição de actuações pidescas de antes do 25 de Abril, levando documentos relacionados como uma acção de protesto e produzindo um discurso intimidatório para com os sindicalistas, que o primeiro ministro, licenciado Pinto de Sousa havia classificado de comunistas no dia anterior.

3 comentários:

Maria disse...

bom, se os polícias quiseram 'mostrar serviço' de maneira tacanha...não se pode dizer que a culpa é de Sócrates!
por mim, também não gostaria de ouvir insultos - essa é que é essa...
quanto ao resto, o homem está lá porque foi eleito

FSantos disse...

Maria (simplesmente),
Talvez seja curial recordar que também o sacristão de Stª Comba tratava todos os oposicionistas como perigosos comunistas, ao mesmo tempo que, segundo a propaganda oficial, desconhecia todos os crimes cometidos pelos seus esbirros (fossem eles pides, fossem outras forças de segurança).
As semelhanças são cada vez mais evidentes...
Quanto à legitimidade eleitoral, também Salazar não perdeu uma única eleição, de acordo com todos os números oficiais disponíveis! Até que um dia caiu da cadeira...
Em 2009 logo veremos!

Maria disse...

o que não me parece curial é pretender comparar o incomparável: nem o país é a merdice de há 50 anos atrás nem a legitimidade dos eleitos existia então - simplesmente

Num mundo em que tudo parece decidido,
ainda há espaço
para o exercício de um pensamento cidadão